Saúde pública lidera prioridades dos goianos para as eleições deste ano

Entre propostas destinadas a atrair atenção dos eleitores estão maior foco na prevenção, sobretudo, a partir de maior investimento público em prática de atividades físicas

24 de julho de 2026 às 11:04

A melhoria na saúde pública é a principal expectativa do eleitor goiano em relação aos políticos que serão eleitos nas eleições deste ano. Essa é a conclusão que se pode depreender a partir de pesquisa divulgada este ano pela Quaest, encomendada pela Genial Investimentos. No levantamento, o tema é prioritário para 39% dos votantes no estado.

Além da saúde, os eleitores goianos também esperam que a classe política adote uma agenda prioritária para o combate eficaz à violência (10%), à corrupção (8%) e a medidas de impacto para a promoção do crescimento da economia (6%).

Entre os pré-candidatos, aqueles que possuem experiência na área de saúde traçam estratégias e propostas, a fim de atrair a atenção do eleitor. Entre eles, o empresário, educador físico e fisioterapeuta e pré-candidato a deputado estadual Felipe Mabel (Podemos) salienta que as políticas públicas em Goiás devem dar maior atenção à prevenção e, dentro desse nicho, à atividade física como estratégia para evitar a chegada da doença antes que ela se instale.

“Ao longo da minha atividade como profissional de saúde, pude verificar o quão preciosa é a superação do sedentarismo e a adoção do hábito da atividade física frequente para evitar que a doença ocorra”, relata. Mabel cita dados recentemente divulgados pela Organização Mundial de Saúde (OMS), segundo os quais 5 milhões de mortes poderiam ser evitadas por ano caso fosse adotada a prática regular de atividades físicas.

“Em todo o planeta, quase meio milhão de casos de doenças crônicas não transmissíveis, que são as que mais matam no mundo, vão ser diagnosticados ao longo desta década. A principal razão é o sedentarismo. E tem mais: se fossem adotadas políticas públicas adequadas de investimento no acesso universal à atividade física, a economia que seria feita no setor de medicina curativa – aquela que atua quando a doença já existe – seria de US$ 27 milhões por ano”, informa o educador físico.

Como forma de atender às expectativas da população na saúde pública, Mabel propõe a adoção de marcos legais para a realocação de profissionais de educação física que atuam no serviço público para a formação de equipes de promoção da atividade física em parques, praças e logradouros públicos. “Seria interessante um projeto de lei que crie uma gratificação para profissionais com especialização ou capacitação em áreas como saúde pública, gerontologia ou educação física para portadores de doenças crônicas não transmissíveis”, sugere.

Mabel argumenta, ainda, que esses profissionais possam atuar sob a forma de equipes, que podem ser integradas por estagiários de áreas como fisioterapia e educação física, a partir de programas de extensão junto a universidades. “Essas equipes de educadores físicos e fisioterapeutas também podiam contar com o auxílio, mesmo que periódico, de prestadores de serviços ambulatoriais e de exames simples de rotina, por exemplo, para medição do índice glicêmico. Assim, seria possível medir o nível de eficácia do programa a partir dos resultados na melhoria da saúde dos cidadãos que aderissem de forma mais constante”, explica.

Para Mabel, embora pareça um gasto à primeira vista, a adoção desse tipo de política no campo da saúde pública teria por resultado uma diminuição de despesa no outro extremo desse setor da atuação do poder público. “Na outra ponta, haveria uma diminuição do gasto com a medicina curativa. Todos sairiam ganhando: ganha a população com a melhoria na qualidade de vida, ganha o governo, que pode carrear esses recursos para outras áreas, ou para áreas no próprio setor de saúde, como a diminuição da fila de atendimentos ou o aumento do investimento em atendimento especializado”, avalia o pré-candidato.